28.6.09

O FOOTING






















A palavra é inglesa, tendo vários sentidos. Um deles, ir a pé. Entre os anos 1920 e 1960, quando as praças das cidades eram freqüentadas por adolescentes, nelas se dava o footing – o ato de dar voltas na praça . Era a ocasião em que muitos namoros se iniciavam. De início, com troca de olhares, depois com o oferecimento de uma música transmitida pelos alto-falantes dos coretos, de um bilhete entregue por uma criança e assim por diante. Enfim, era o flerte:
O escritor e professor Deonísio Silva tem uma seção na revista Caras denominada etimologia, na qual, ao falar sobre o termo “footing”, cita um trecho do livro de Moacir Japiassu "Carta a Uma Paixão Definitiva" (Editora Nova Alexandria) que bem ilustra esse antigo costume:

"Havia footing nas pracinhas, as meninas passeavam de braços dados e os meninos olhavam. Risadas, pequenas sem-vergonhices. Passavam-se semanas até que o rapaz dirigisse o primeiro olá à sua eleita. Haroldo demorou oito meses para abordar Julita Cruz. Na noite tão angustiadamente escolhida e esperada, a desejada moderou o passo e o apaixonado disse-lhe, gaguejante: 'Tás passeando?'(...)Talvez em cinco, dez anos, estivessem casados ."

Nos anos 1930 e 1940, o jornal “A Voz do Povo” tinha uma pequena coluna chamada “PERFIL”, na qual rapazes e moças sem se identificar davam pistas do objeto de seus olhares furtivos. Na edição de 20-1-1940, meu pai foi um desses jovens, e o objeto desse perfil, minha mãe.

27.6.09

ANDOLFO GALILEU, O MESTRE DE CAPELA DE OURINHOS


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Este artigo foi publicado no jornal "Folha de Ourinhos", do dia 23 de setembro de 2001. Em homenagem ao saudoso maestro Galileu e aproveitando a iminência do Festival de Música de Ourinhos, a realizar-se no mês de julho próximo, transcrevo- aqui, digitalizado.

SORVETE ORIENTE, O SORVETE DA MINHA INFÂNCIA


Esse era o sorvete que todos os meus contemporâneos adoravam. Era feito na Padaria Oriente, do seu Borim, onde também havia doces e o delicioso pão mandi. Alguém também se lembra desse pão?
Ela ficava na esquina da rua (hoje) Antonio Carlos Mori com Paraná. Ao fundo vê-se o intenso movimento da rua. Coincidentemente, meu avô, José das Neves Júnior, vinha descendo a rua Paraná e aparece no centro da foto, atrás do carrinho de sorvete. O garoto que está ao lado do carrinho é o Décio "Turco", filho do João Chic (João Simão Yared, que foi padrinho de casamento de meu pai).
Foto por Francisco de Almeida Lopes
(Não se esqueça de clicar sobre a foto para vê-la num tamanho maior)

UM TRECHO DA RUA 9 DE JULHO EM 1932.


Quase nada restou desse trecho do início da antiga rua Minas Gerais, atual 9 de Julho. Meu pai fez essa foto a partir do local onde hoje há o pontilhão da linha férrea. O garoto que se encontra em primeiro plano é um sobrinho Devienne (acredito que o Dezinho). Carlos Eduardo Devienne era casado com uma prima, Benedita de Almeida Lopes, irmã de meu pai. O casal morava na última casa desse trecho da rua, em frente ao garoto da foto. Essa casa feita de madeira ainda existe e está muito bem conservada. Adiante (esquerda) vê-se a casa da família Lopes, construída em 1931. Um dos filhos da dona Benedita Lopes, Manuel, também trabalhava na SPP-Paraná, sendo casado com Georgina Amaral Santos, filha do  Benício do Espírito Santo.
 Em seguida, havia a residência do casal Vendramini. Na esquina com a rua Rio de Janeiro, meu avô construiu, em 1939, um sobrado duplo que ainda existe. Do lado oposto, pode ser vista a entrada da casal do prefeito Benedito Martins Camargo, de quem meu avô comprou o terreno da esquina onde construiu sua residência, para lá se mudando em outubro de 1930. Parte da casa do prefeito Camargo abriga hoje o Colégio Anglo. Oposta à casa de meu avô ficava a casa da Donana, uma senhora portuguesa que cheguei a conhecer. A casa tinha um imenso quintal repleto de mangueiras.
Do outro lado estava a casa da família Ferreira (Otávio  Ferreira).
Ao fundo vê-se um homem caminhando pelo meio da rua e a torre da Igreja Matriz.
(Não se esqueça de clicar sobre a foto para vê-la num tamanho maior)
Foto por Francisco de Almeida Lopes

21.6.09

LADY HAMILTON, A DIVINA DAMA, CARTAZ DO CINE CASSINO



No ano de 1942, o cine Cassino vivia seus últimos dias. Já se achava em construção a nova e moderna sala de cinema de Ourinhos, de propriedade do empresário Emílio Pedutti, de Botucatu, um plantador de cinemas no interior paulista. Na sessão de quinta feira, dia 5 de fevereiro de 1942, seria exibido mais um sucesso de Hollywood:


THAT HAMILTON WOMANN
LADY HAMILTON, A DIVINA DAMA

CARTAZ DO CINE CASSINO – OURINHOS
5-2-1942


O filme é de 1941, o que demonstra que as pequenas cidades do interior estavam praticamente em dia com os sucessos do cinema norte-americano, detentor quase exclusivo das platéias brasileiras da época.
O diretor foi Alexander Korda, inglês que fora para Hollywood em 1939. Tinha no elenco, além de Vivian Leigh (1913-1967), o britânico Laurence Olivier, com quem havia casado em 1940, no papel de Lord Nelson. O casamento dos dois durou até 1962.
Vivian era nascida na Índia, quando esta ainda pertencia ao Império Britânico.
O drama tinha como ação central a história da relação extraconjugal entre Lady Hamilton e Lord Nelson, famoso almirante inglês, vencedor de tantas batalhas.
A película ganhou um Oscar na categoria som, tendo sido nominado para outros dois: o de melhor diretor de fotografia em preto e branco, o célebre Rudolph Maté, e o de melhores efeitos (fotografia) e de efeitos especiais (som).

18.6.09

8.6.09

TIBÉRIO BASTOS SOBRINHO, O MINEIRO DE JANUÁRIA




















Januária é uma cidade de norte de Minas Gerais, banhada pelo “Velho Chico” (rio São Francisco). Sua origem remonta ao século XVIII e ao bandeirismo. Nos anos 1920, dois irmãos deixaram Januária em busca de novas oportunidades e acabaram se fixando em Ourinhos. Eram eles Olímpio e Telésforo Tupiná. Vinte anos depois, o filho de uma irmã refez o caminho dos tios e para Ourinhos veio. Seu nome: Tibério Bastos Sobrinho.
O jovem Tibério Ingressou na prefeitura onde seu tio Olímpio fora contador. Tradição familiar essa, pois o filho de Olímpio, Hermilo, foi um excelente professor de contabilidade e manteve um dos melhores escritórios desse ramo na cidade. Do mesmo modo, Euler, filho de Tibério está hoje à frente desse escritório. Euler foi competente vereador por duas legislaturas. A filha de Tibério, Vania Bastos é uma cantora renomada.
Tibério, profissional eficiente, em pouco tempo foi galgando posições elevadas na prefeitura, tornando-se Chefe do Departamento de Administração, cargo no qual permaneceu por muitos e muitos anos. Exemplo de um tipo de funcionário público que, infelizmente, escasseia nos dias atuais.
Aos 87 anos, dono de uma saúde invejável, caminha pela cidade como um jovem de 18 anos.
Ourinhos só tem a agradecer à mineira Januária pelos filhos que ela lhe enviou: Olímpio, Telésforo e Tibério.

A foto, por José Machado, é de uma cerimônia na antiga Câmara Municipal. Tíberio é o segundo da esquerda para a direita, ladeado pelo deputado federal Silvestre Ferraz Egreja e o prefeito Domingos Camerlingo Caló. Estão ainda na foto o oficial responsável pelo Tiro de Guerra e o padre Arnaldo Beltrami.

A PRIMEIRA PRIMEIRA VISITA DE ADEMAR DE BARROS A OURINHOS








Ademar Pereira de Barros (1901-1969) foi nomeado interventor federal em São Paulo, no dia 22 de abril de 1938, data em que completava completava 37 anos.
Entre 1938 e 1939, o novo interventor federal substituiu todos os prefeitos do interior.
Em Ourinhos, o escolhido foi o fazendeiro Horácio Soares que tomou posse no dia 9 de julho de 1938.
A foto nos mostra a primeira visita do interventor a Ourinhos, que é visto aqui logo após o desembarque na estação ferroviária local. Um grande de número de pessoas acompanha a comitiva. Ao lado do interventor está o prefeito Horácio Soares.
“Desde que assumi a interventoria, dizia em 1939, voei 25 mil quilômetros de avião e visitei 58 cidades, muitas das quais jamais tinham recebido a visita pessoal de um chefe do Executivo Estadual”.
(in http://www.adhemar.debarros.nom.br/biografia.htm)
Ao fundo veem-se algumas casas de empregados da Sorocabana que foram derrubadas quando da construção do terminal de passageiros, na praça Henrique Tocalino.
Francisco de Almeida Lopes fotografou para a memória de Ourinhos o momento em que a comitiva se deslocava para a prefeitura local.
Ao lado da foto há uma digitalização da notícia de "A Voz do Povo", órgão de imprensa local, sobre a visita. (21-9-1940). Clique sobre ela para ler no tamanho normal.

5.6.09

A VELHA PREFEITURA



Clique na foto


Ficava na Altino Arantes, esquina com Cardoso Ribeiro. À sua frente , ficava a Casa de Saúde do drº Hermelino. No terreno, há hoje um um posto de gasolina!

O prédio resistiu até os anos 1960, quando lá estava instalada uma pensão. Meus amigos, os irmãos Estevam Artur e Marco Antonio Ribeiro Margutti quando vieram estudar em Ourinhos lá moraram algum tempo, até que sua mãe e padrasto se fixaram na cidade. Desse modo conheci muito o prédio. O dono da pensão, na ocasião, tinha uma filha adolescente muito bonita.
Fonte: Jornal "A Voz do Povo, 9/1/1940

CARTÕES POSTAIS




Dois belos cartões postais dos anos 1960:
- a praça Melo Peixoto recém reformada;
- O Educandário Santo Antônio que acabara de passar por uma reforma externa.

Acervo de Francisco de Almeida Lopes

DIACUI


Este é uma bela foto feita por Francisco de Almeida Lopes nos anos 1950.