29.3.09

NO TÚNEL DO TEMPO: ELEIÇÕES NOS ANOS 1950.



Esta é uma foto interessante que remete às práticas eleitorais de outros tempos.
A eleição é a de 1950, quando os eleitores escolheriam o governador que sucederia a Ademar de Barros, que então patrocinava o seu Secretário de Estado de Viação e Obras Públicas, engenheiro civil Lucas Nogueira Garcez (1913-1982). A agremiação política que os sustentava era o Partido Social Progressista, o PSP. O prestígio de Ademar e a boa gestão do engenheiro Garcez possibilitaram a permanência do PSP no poder.
Em Ourinhos, o PSP era um partido com larga penetração. O seu diretório, no início dos anos 1950, era constituído por:
Presidente – Pedro Féres Mattar
1º Vice – Tito Tibúrcio do Prado
2º Vice – Jeanduy Perino
3º Vice – drº Durval da Gama Filho
4º Vice – Mario Ribeiro da Silva
Sec. Geral – Evaristo Saraiva
Subsecretário – Ormuz Pereira Cordeiro
Sec. Assistente – João Rodrigues Martins
Tesoureiro – Ciro Silva
1º Tesoureiro – José Garcia de Oliveira
2º Tesoureiro – Antonio Carlos Mori
O veículo utilizado para a propaganda pelas ruas da cidade, que vemos na ilustração, está estacionado na praça Melo Peixoto. Nele, há fotos de Ademar, do candidato Garcez e de Horácio Soares. As propagandas afixadas no carro divulgavam slogans do PSP na época: “São Paulo não pode parar” e “Pelo povo com o povo” Há, também, os dizeres: “Cédulas aqui”, isso porque na época não havia cédula única, cada candidato tinha a sua cédula que era distribuída pelos próprios partidos e colocada na urna pelos eleitores.

Foto por Francisco de Almeida Lopes

23.3.09

PLÍNIO SALGADO (1895-1975)





Plínio Salgado, intelectual e jornalista, foi fundador da Ação Integralista Brasileira, movimento político nacionalista de direita, com forte penetração em todo o território nacional, nos anos 1930. Foi exilado em 1939, retornando ao Brasil, em 1945, ocasião em que fundou o Partido de Representação Popular.




Esse partido, também nacionalista de direita, não teve a mesma repercussão nacional que a extinta AIB, embora tenha tido uma razoável representação no Congresso Nacional até a sua extinção, pelo AI-2, em 1965.
Plínio Salgado foi candidato à presidência da República, em 1955, ocasião em que esteve em Ourinhos.Nestas fotos ele está em pleno calor do discurso eleitoral, tendo ao seu lado Domingos Camerlingo Caló, prefeito municipal.
Plínio recebeu 714 mil votos (8% do total).

Na segunda foto também são vistos no palanque Jairo Diniz e o profº Luciano Corrêa da Silva.
Fotos por Francisco de Almeida Lopes

19.3.09

FRANCISCO DE ALMEIDA LOPES (1909-1987), MEU PAI.



Peço licença aos leitores desta página  para homenagear meu pai por ocasião do centenário de seu nascimento.
Chiquinho, como era conhecido entre os familiares e amigos (as), era um homem tímido. Não de muita prosa. Mesmo assim, cultivou muitos amigos ao longo dos anos de mocidade passados na Ourinhos dos anos 1920. Amizades essas que se conservaram com o passar dos anos.
Era um autodidata, desenvolvendo com facilidade os dons com os quais nasceu. Tinha uma enorme facilidade para o desenho natural, pintura em tela, colorir a mão fotos, e era um fotógrafo de mão cheia.

Foi colaborador de dois jornais: "Diário da Sorocabana" e  "Jornal da Divisa".
Foi, talvez, a pessoa de melhor coração que já conheci. Nunca disse um não a ninguém, o que acabou por lhe trazer algum prejuízo ao longo da vida. Também nunca ouvi sair de sua boca qualquer comentário desabonador a respeito de pessoa que ele tivesse conhecido. Foi sempre muito chegado à família, a sua e a de sua esposa. Enquanto viveu, foi o elo entre os vários primos que moravam em cidades diversas, visitando-os anualmente.
Tinha um amor todo especial para com a cidade onde foi criado, Campinas, e à cidade de adoção, Ourinhos.
Ambas foram objeto de belas fotos que as suas máquinas registraram ao longo de quase sessenta anos.
Nos anos em que morou em São Paulo, em todas vezes em que ia a Ourinhos, várias ao longo do ano, sempre levava aos seus amigos fotógrafos, um exemplar da revista da Cinótica.


Um deles, o "Carnaval", lhe fez  uma homenagem publicada no Jornal da Divisa,  (25-7-1987) p. 6, uma sema após a sua morte.
SOCIAL
"Foto", um pedacinho de papel que se perpetua através dos anos e ilustra entre outras coisas as transformações físicas e grandes momentos .
Ourinhos tem vários e grandes fotógrafos, e Vraudemiro Roque Carnaval passou para o papel uma mensagem a um grande fotógrafo e professor e todos nós cujas fotos por ele realizadas contam boa parte da história da nossa cidade. Srº Francisco Lopes."

"Velho Chiquinho nosso amigo. Sou fotógrafo de vinte anos; Chiquinho de muito mais, hoje sou um profissional, Chiquinho mais que isso um profundo amante da fotografia.
Sempre acompanhou os eventos e registrou acontecimentos da cidade com sua câmera. Os quais talvez o profissional não tivesse interesse; tendo em sua casa um acervo fotográfico dos velhos tempos da nossa querida Ourinhos.
Quem não se lembra do seu Chiquinho de sobrenome Lopes, mas para nós fotógrafos da nova geração será sempre seu Chiquinho pequeno, magrinho, mas muito amoroso no que gostava de fazer.
Sempre revelando suas fotos, colecionando suas revistas de fotografias, Chiquinho nos deixa, mas a imagem daquele fotógrafo e companheiro proto a colaborar. Chiquinho se foi para sempre, mas uma coisa boa fica conosco, a boa lembrança da sua pessoa, das sua dedicação, da sua amizade, do seu interesse em prestar ajuda a nós profissionais.
Tenho  certeza Chiquinho, cumpriu sua missão, foi bom companheiro, bom pai, bom chefe de família e um dos melhores representantes da fotografia em Ourinhos, prova disso é seu arquivo fotográfico.
Gostaria de falar mais do seu chiquinho, mas a minha capacidade não vai além.
Saudades vou ter bastante. Gratidão muito mais, lembranças enquanto eu viver.
Adeus velho amigo, Adeus seu Chiquinho. 
Carnaval

Dele herdei o gosto pelo cinema, Arte que ele muito curtiu ao longo seus setenta e oito anos de vida. Não passava um mês sem os exemplares de Cinelândia e Filmelândia chegarem em casa, os quais  eu devorava ainda na infância.
Papai, sinto até hoje a sua partida e gostaria que tivesse alcançado a era da informática que, tenho  certeza, lhe traria muitas alegrias.
Tenho orgulho de ter sido seu filho, e sinto-me feliz por ter podido universalizar a sua obra fotográfica por meio da web.

A foto nos mostra o casal Amélia e Chiquinho, no Rio de Janeiro, por ocasião de suas bodas de prata, em 1968

CÉSAR, PINTOR








Meu pai gostava muito de colorir fotos, trabalho esse que exige  muita paciência, qualidade que ele tinha em abundância.
Utilizando lápis de cor especial e tinta a óleo, debruçava-se sobre as fotos dando-lhes um aspecto  de quase pintura em tela.
Esse é o trabalho que ele fez de uma foto do seu amigo "César pintor". César era especialista em decoração de paredes internas, hábito muito comum nos anos 1930 e 1940.
Na varanda da casa de meu avô, na Rua 9 de Julho, ele pintou  na parede de  cor marrom claro  quatro paisagens muito bonitas, que podem ser vistas em algumas fotos em preto e branco que temos desse local da casa.
Se alguém souber mais alguma informação sobre César, por favor divulgue-a.

Sueny Eloy,  filha de Benedito Eloy, impediu  a tela acima , de autoria do César, de acabar servindo de prancha para skate. 
Explico, quando a casa do drº Ovídio foi vendida, muita coisa foi jogada fora. Entre elas, essa tela pintada sobre madeirit, hábito que meu pai também tinha. Sueny adquiriu-a do sobrinho dando-lhe em troca um skate novo.

Trata-se de uma versão pessoal da  Santa Ceia. Terá César retratado algum morador entre os apóstolos?



2.3.09

HOMENAGEM DE "O AVESSO" A FRANCISCO DE ALMEIDA LOPES

"O Avesso" homenageia Francisco de Almeida Lopes por ocasião de seu centenário.


Clique para poder ler a reportagem.

DOMINGOS CAMERLINGO CALÓ

Minha tia Maria Neves e dua colega de trabalho na Companhia Telefônica Brasileira, Maria de Lurdes Souza Barros, comemoram a vitória de Camerlingo, no comitê de campanha. Foto por Francisco de Almeida Lopes
Domingos Camerlingo Caló foi, por duas vezes, prefeito de Ourinhos: a primeira na década de 1950 (1952-1955) e a segunda na de 1960 (1964-1968).
Na primeira vez em que concorreu à prefeitura foi eleito com o apoio de três partidos: UDN, PTB e PRP, tendo recebido 2257 votos; o outro candidato era o ex-prefeito Horácio Soares, apoiado pelo PSP e PSD, que recebeu 1036 votos. O candidato a vice de Horácio Soares foi Antônio Luiz Ferreira que foi eleito prefeito alguns anos depois.
Para vereadores foram eleitos:

PRP
Mistugui Kanda
Aimoré Ferreira
Dimas Aguiar cintra
Fernando Cristoni

PSD
Mário Cury
Oriente Mori

PSP
Luis Ximenes
Tito Tibúrcio do Prado
Abrahão Abujamra

PTB
João Flauzino Gonçalves
Drº João Batista Medeiros
Benedito Pimentel

UDN
Duílio Sandano
Altamiro Pinheiro
Antonio Bertagnoli

Nessa eleição, a UDN teve duas mulheres na sua chapa de vereadores: Helena Orsi Portugal de Souza e Maria Inês Pires Alves de Souza.

Na foto, por Francisco de Almeida Lopes, vemos Camerlingo (de óculos com lentes escuras) na sede de sua campanha. O último à direita é o advogado drº João Batista Medeiros.