26.1.09

CAROLINA MELLA RIBEIRO DA SILVA - ENTOANDO "AVE MARIAS"
















Dos 7 aos 17 anos morei na rua Arlindo Luz , no número 479.
Graças à proximidade da Igreja Matriz e a uma já forte atração para a música, ia frequentemente assistir aos casamentos que lá eram realizados para poder ouvir os dois cantores que eram chamados para abrilhantar as núpcias: Tomás Lopes e Carolina Mella Ribeiro da Silva, Cali.
O contato de minha família com Cali iniciou-se, nos anos 1940, quando ela, recém-casada, veio morar numa casa de meu avô, na rua Rio de Janeiro.
Desse modo, uma amizade próxima ligou-a a minha mãe e tias.
De seus filhos, aquele com quem tive mais proximidade, foi Roberto, colega de folguedos nas ruas e de bancos escolares.
Há muitos anos não a via. Neste final de ano, por força de uma longa estada em Ourinhos, fui visitá-la. Próxima de completar 90 anos, Cali ainda está, com a vivacidade e alegria que sempre irradiou e que a ajudaram a enfrentar as vicissitudes de uma longa jornada de vida que não foi fácil.
Falou-me de suas muitas atividades: pintura, bordados e do canto.
Quando lhe perguntei como havia iniciado a fazer solos nos casamentos, contou-me:
- "Eu cantava no coro da velha Matriz desde os 13 anos, certo dia sai das Casas Pernambucanas onde trabalhava e fui para o ensaio na Igreja. Como havia chegado bem antes do horário acertado, o maestro Galileu pediu-me para ensaiar um solo do "Ave Verum'. Acontece que estava na Igreja, Adba Abujamra que estava para se casar com Philemon de Mello e Sá. Ao ouvir meu solo quis saber quem estava cantando. Gostou tanto que me contratou para cantar na cerimônia de seu casamento. Assim iniciou-se minha carreira como solista em casamentos."
O acompanhamento, inicialmente, era feito pelo maestro Galileu, mais tarde pelas Irmãs Emiliana, Custódia e Carmela. Também participaram muitas vezes Liberto Resta e Ditinho ao violino. Em algumas ocasiões Cali fazia solo com Tomas Lopes, tenor, Milton Rosa, tenor e Ernesto Rosa, baixo.
Já nos anos 1930, Cali passou a encarnar a Verônica na tradicional Procissão do Enterro, realizada na Sexta-Feira Santa, a convite do Cônego Miguel dos Reis Mello.
Esse é um momento comovedor da procissão do Senhor Morto, acompanhado do mais absoluto silêncio. A soprano que o entoa recita trechos em Latim extraídos das "Lamentações do profeta Isaias", enquanto vai desdobrando o véu, no qual está estampado o rosto ensanguentado de Cristo:


"12 LAMED. O vos omnes, qui transitis per viam,attendite et videte,si est dolor sicut dolor meus,quem paravit mihi,quo afflixit me Dominus
in die irae furoris sui. ."

Tive a felicidade de assistir muitas vezes vezes a sua fase final como Verônica. Emocionante !
Cali foi casada com Elziro Ribeiro da Silva. O casal teve os filhos: Maria Helena, Sérgio, Vera Lucia, Roberto, Eduardo, Maria Alice e Fernando.
Durante muitos anos foram proprietários do bazar "Casa Primavera", na rua Paraná onde, pela simpatia irradiante de Cali, amealharam uma vasta freguesia.
Em 2004, Cali publicou "Relembranças", no qual narra suas memórias.
Fotos: Carolina Mella Ribeiro da Silva
Cali e Elziro, nos anos 1940.

21.1.09

AMIGOS POSANDO PARA A ETERNIDADE






Esta foto foi tirada no Foto Sakai em 1961. Da esquerda para a direita; em pé. Simão Oksman, Décio Yared (Décio Turco, falecido), Agenor Rossinholli, José Carlos Marão, Paulo Aurélio Vivan dos Santos (falecido); sentados: Péricles Migliari, Joaquim Bessa, Oswaldo Perino, Wladimir Mori; sentados ao rês do chão: Chico Vara (falecido) e Lauro Zimmermann (falecido).
Gentileza de Joaquim Bessa.

Laurinho foi meu colega de Sanbra, grande e saudoso amigo.

JOSÉ FERNANDES DE SOUZA, GERENTE DA FILIAL DA SANBRA EM OURINHOS


Foto: Amigos num churrasco na Diacuí
Souza é o primeiro à esquerda, em pé.


José Fernandes de Souza, a esposa Ivone Duarte, o amigo drº Luiz Monzillo e a filha Cristina , debutante.











José Fernandes de Souza,
* 21 de maio de 1921
+ 21 de janeiro de 1999

Há dez anos, falecia José Fernandes de Souza, modelo de pai, esposo, empregador e de cidadão. Seu nome está ligado às mais diversas iniciativas na cidade que elegeu para morar e onde nasceram os seus filhos, Cristina e Zezo.
Eu tive o privilégio de tê-lo como meu primeiro patrão, na Sanbra, onde trabalhei dois anos e meio. Esse período foi uma escola de profissionalismo que marcou minha vida, e isso devo ao exemplo de José Fernandes de Souza, gerente da filial de Ourinhos. Liberto Resta, que era o chefe do escritório, aos poucos foi me passando a tarefa de relatar essa rubrica nas reuniões do controle orçamentário da filial de Ourinhos. Desse modo , pude participar das reuniões periódicas que se faziam e pude ver de perto a competência desse professional de quarenta e oito quilates.


Saudades!!


















19.1.09

TOMÁS LOPES, O MESTRE DE OBRAS


Ao centro da foto, nos andaimes da nova matriz, anos 1940.
Na Capela do Asilo São Vicente de Paula, anos 1960: Humberto Rosa, Benedito Monteiro, Tomás Lopes, as Irmãs espanholas do Asilo .




Na Casa Paroquial, com missionário redentorista e Humberto Rosa, presidente da Congregação Mariana.









Em cerimônia na Matriz, ao lado do prefeito Rubens Bortolocci da Silva, Humberto Rosa e Mituo Minami.







Com a esposa e filhos















Na Matriz, missa das bodas de prata.


Alto, vasta cabeleira, olhos claros marcantes, uma figura que lembrava o ator Burt Lancaster. Assim era Tomás Lopes, de ascendência ítalo-alemã, nascido em Botucatu em 5 de abril de 1916 e falecido em Ourinhos em 22 de agosto de 1988. Quando o empresário Emílio Pedutti decidiu construir um novo cinema de Ourinhos, no início dos anos 1940, foi a Tomás Lopes que ele entregou o comando da obra. Foi dessa forma que Tomás veio para Ourinhos, e quando resolveu aqui fixar-se, trouxe a esposa Diana Dias.
Terminada a construção do prédio que abrigaria o Cine Ourinhos, Ezelino Zório, sobrinho de Henrique Tocalino, a quem fora entregue a responsabilidade da edificação do novo templo católico da cidade, chamou Tomás Lopes para ser o mestre de obras da empreitada. Era uma construção de vastas proporções, conforme a idealização do jovem pároco, Eduardo Murante que havia se lançado à concretização do sonho de sua vida. Quermesses, rendas de jogos esportivos, almoços, bilheteria de cinema, doações foram constituindo o capital necessário à empreitada.
Homem de profunda fé católica, Tomás também foi um dos primeiros vicentinos responsáveis pela construção do Asilo São Vicente de Paula, ao qual esteve dedicado até o final dos seus dias.
Amante de música, com a qual já se envolvera na cidade natal, era um dos membros do coro da Igreja Matriz, preparado e conduzido pelo maestro italiano Andolfo Galileu. Seu belo registro de tenor lançou-o a solos belamente executados em cerimônias religiosas e nos casamentos onde fazia duo com a soprano Carolina Mella Ribeiro, a Cali, muitas vezes também acompanhado pela dupla Ditinho e Liberto Resta ao violino. Tive a felicidade de testemunhar seus belos duos, no coro da nova Igreja Matriz.
Concluída a obra da Igreja Matriz, Tomás empregou-se na Oncinha, onde aposentou.
Merecidamente seu nome foi dado a uma das ruas da cidade, no Jardim Santos Dumont, bem próximo da rua que leva o nome de meu pai, falecido um ano antes.
Essas lembranças remetem-me para uma sugestão absolutamente necessária: a Catedral de Ourinhos necessita ter em suas paredes uma placa contendo os nomes dos responsáveis por sua construção e as datas respectivas. Não se concebe que uma obra desse vulto não tenha registrado historicamente esses dados. Apelo aqui a sua Eminência, Dom Salvador Paruzzo, Bispo da Diocese de Ourinhos, para que acate esta sugestão.