22.11.08

A LINHA DO TREM
















Clique sobre a foto

"(...)
A cidade eclode seus mortos,
há uma cidade viva abaixo
da linha do trem,
uma cidade de poros acesos,
de membranas diáfanas,
de fósseis regenerados,
abaixo do azul dessas manchas solares,
há escombros dessa cidade pulverizada.
(...)"

Lilian RinhardtNum Fórum de Poesia na web, (http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?t=6007&start=105&sid=2f6786ba79009d0c4920ce946f06c9c9) encontrei esses versos que se aplicam a essa foto que considero uma das mais bonitas entre tantas que meu pai fez da cidade que elegeu para viver e que tanto amava.
Quando a linha férrea corta uma cidade ao meio e a circunda, como no caso de Ourinhos, há uma cidade acima da linha e outra abaixo dela.
Foi tirada a partir do "Bazar do Pedrinho", na Antônio Prado, logo abaixo da passagem da linha férrea.
Era um daqueles dias em que céu de Ourinhos estava em todo o seu esplendor, mostrando as belas nuvens na sua grandeza.
Coincidentemente, esse trecho que ele fotografou várias vezes acabou sendo o depositário de inúmeras construções dos primórdios da cidade. Apesar das desconfigurações de muitas delas, o conjunto ainda impressiona e deveria ser tombado.
Percebe-se que se trata de uma foto que teve uma composição: a porteira semi fechada e os dois garotos no meio da rua, em primeiro plano, dão-lhe um toque todo particular. A preocupação com o horizonte está presente como naquela bela foto da rua Paraná que serve de capa ao livro do jornalista Jefferson Del Rios. 
Foto: Francisco de Almeida Lopes (1909-1987)

15.11.08

OS CEM ANOS DE DONA BELARMINA DE SOUZA LEAL

















Hoje Dona Belarmina de Souza Leal completa 100 anos.
Filha de Francisco Simões de Souza, o “Chico Manco”, português, estabelecido em Ourinhos com o famoso “Bar do Chico Manco”, na rua São Paulo, em frente ao cine Cassino, foi casada com Joaquim Miguel Leal, natural de Palmital, bancário, por muitos anos foi gerente do Banco Brasileiro para a América do Sul. O casal teve 4 filhos.
Laços de amizade uniram nossas famílias ao longo dos anos.
Sua irmã, Amélia, foi casada com Jorge Galvão, ex funcionário da São Paulo-Paraná. Uma das filhas desse casal , Edde, também foi colega de trabalho de meu pai.
Os pais de Dona Berlarmina batizaram meu tio Herculano, de quem Inês de Souza Leal foi colega de ginásio.
Deixa-me feliz, nas minhas idas a Ourinhos, sempre que possível, ir dar-lhe um abraço, recebido com um belo sorriso.
Exemplo de filha, esposa, mãe e amiga, Belarmina merece a nossa homenagem.
PARABÉNS DONA BELARMINA !!!
Transcrevo aqui a poesia que seu futuro marido, Quinzinho dedicou-lhe alguns meses antes do casamento, em 1927:
VISÃO
Rancho tosco à margem da estrada
Matas, campina verdejante
Flores de perfume inebriante
Lindas borboletas, passarada.
Ao fundo trepadeiras, ramarada,
Um florido mamoneiro adiante
Junto a uma roseira e não distante
O rio, uma barca; só mais nada.
Deslumbrado ao ver tanta beleza
Com que nos brindou a natureza
Pela mente nos perpassa uma visão
Visão bendita. Reconheço, é ela,
Minha deusa, meu amor, a minha bela
O anjo que roubou meu coração.
Palmital, 1927 J.M.Leal
Fotos: Bar do Chico Manco com o proprietário ao centro; Dona Belarmina

8.11.08

OS PRIMÓRDIOS DO CINEMA EM OURINHOS

Segunda narrativa de antigos moradores ao jornalista Jefferson Del Rios, o primeiro cinema - CINE TIZIM teria sido iniciativa de Narciso Migliari. Posteriormente, houve um outro de propriedade de Francisco Lourenço.
Já na primeira metade dos anos 1920, foi inaugurado o Cine Cassino, do Rolim. Inicialmente edificado em madeira, posteriormente, em alvenaria, no mesmo local - a rua São Paulo. O prédio em alvenaria tinha até frisas que eram ocupadas pelas famílias mais abonadas da cidade.
Lembro-me de meu pai contar a respeito de como eram feitas as projeções, do problema do esquentamento da tela e da necessidade de molhá-las de tempo em tempo por causa do calor excessivo que poderia causar combustão.
Havia acompanhamento ao piano ou de pequena orquestra para os filmes mudos.
Em 17/1/1932, "A Voz do Povo"publicava:

A Empresa Cinematográfica Ltda comunica-nos a reabertura por estes dias do Cine Cassino com instalações novas e potentes aparelhos para filmes sonoros, falados e sincronizados. A empresa estás em negociação para a estréia ser feita com o grandioso filme "Nada de novo no front ocidental"

Essa foto, de autoria desconhecida, nos mostra o velho cine Cassino.
Foto: acervo de Francisco de Almeida Lopes (1909-1987).

MARLI FERREIRA BATISTA


















Dei a esta foto o nome de "O reencontro". Nela, vemos Marli Ferrreira Batista (direita) logo quando retornou ao Brasil após a sua aposentadoria na Pfizer dos EUA. Cristina Souza, que na ocasião ainda morava em São Paulo, foi ao nosso encontro no Shopping Higienópolis para um encontro com Marli, a quem não via há muitos anos. Foi um papo muito agradável.
Ontem, 7/11, foi celebrada a missa de 2 anos do falecimento de Marli, na Igreja de Santa Terezinha, da rua Maranhão.

MUITAS SAUDADES!!

7.11.08

EXPOSIÇÃO PRESÉPIOS BRASILEIROS


Data: 13 de novembro, das 19 às 22 horas
Rua Minas Gerais, 80 – Higienópolis
Tel.: 3129-4218 – http://www.galeriapontes.com.br/

Comentário: Essa exposição traz presépios do Brasil todo, em diferentes técnicas e estilos, além de pinturas e esculturas de vários artistas em pequenos formatos.
O propósito da exposição de presépios é divulgar as manifestações populares com o tema da natividade.
Mostra peças de importantes artistas populares como Artur Pereira, Adão, Costinha, Sil, João das Alagoas e da família do Zé Caboclo, entre outros.
Pequenos formatos em escultura e pintura são uma sugestão original e acessível para presentear com arte na celebração do Natal e festas de final de ano.
Para crianças e adultos que cultivam o bom humor, há diversos brinquedos artesanais populares. São todas peças de um acervo garimpado pelo país afora que mostram, de forma festiva, a arte rica, o colorido e a religiosidade do povo brasileiro.

Espero você,

Edna Matosinho de Pontes

2.11.08

AVENIDA JACINTO SÁ

Foi a artéria mais importante da cidade até o final dos anos 1920.
Grande parte do comércio de secos e molhados ali se localizava: Joaquim Luiz da Costa, Carlos Amaral, Alberto Fernandes Grillo, Antonio Joaquim Ferreira, Sekino, isso sem falar no comércio das adjacentes Pedro de Toledo e Amazonas. Outra casa comercial famosa da avenida era a Casa Armênia, do Karekin Erzenian, a casa de tecidos "Caprichosa", de Abdala Abujamra, pai da Ivone, a "Nossa Casa", de Abrão Abujamra, pai do João e do Salem . Ali também se localizava a Industria Ferrari de Bebidas - Ivoran (hoje Oncinha), a tradicional Funerária São Benedito (que lá ainda está). A foto mostra duas extremidades da avenida na confluência com a Antonio Prado: a casa de Abuassali Abujamra (Pascoal) e o armazém de Alberto Grillo, que aparece na porta de seu estabelecimento (sobrado que ainda existe) Nessa avenida estava instalada também a indústria dos irmãos Migliari. Narciso Migliari ali também residia.
A foto, de autor desconhecido, é do início dos anos 1940.
Acervo de Franciso de Almeida Lopes.