19.1.08

LEMBRANÇAS DA SANBRA




A memória costuma ser seletiva. Normalmente, o registro fica mais para os momentos agradáveis do que para aqueles que nos trouxeram tristezas.
Agora que a memória física da Sanbra desapareceu com a derrubada do complexo fabril, resta-nos a memória que ficou dentro de cada um de nós que lá trabalhou, as fotografias e documentos referentes àquele período. Pela importância que essa fábrica teve na história da cidade, acredito que o Museu local deveria recolher a memória que se encontra dispersa para um registro imorredouro.
Encontro hoje essa foto já amarelada, pois já tem  43 anos! Ela é do Natal de 1965, último que passei naquele ambiente, pois deixaria Ourinhos alguns dias depois.
Começando da direita vemos: Maurillo Marocco, responsável pela parte elétrica, Rubens Bortolocci da Silva (Rubinho), chefe da seção pessoal e que seria eleito prefeito de Ourinhos alguns anos depois (1973-1977), Irineu Kucko, que cuidava da Cooperativa, Engenheiro Sarmento, Hélio, também da seção pessoal e responsável pela CIPA, João Olante, do escritório e remanecente dos Moinhos Santista e um funcionário da administração que se encontrava em Ourinhos na ocasião. No palco, um conjunto formado por funcionários: ao microfone está a Yeda que trabalhava no escritório e Roberto na bateria. A festa era realizada no refeitório da fábrica.

13.1.08

AS ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DE OURINHOS E O TREM DE FERRO

Esta foto, de autoria desconhecida, teria sido da chegada do trem a Ourinhos, em 1908, no governo do presidente do Estado Manuel de Albuquerque Lins, que está na varanda do vagão.

Ourinhos teve como pai o café, por mãe a  ferrovia, e o trem de ferro por  padrinho. 
O núcleo inicial formou-se, há mais de cem  anos, em torno de uma  pequena estação ferroviária, edificada para servir de parada para o trem que demandava o interior do estado, conforme o avanço do café.


A primeira estação, no início dos anos 1920.

Outra estação, mais ampla e bonita sucedeu-a em 1926. 



 Meu pai e amigos no pátio da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina -RVPSC, anos 1950. Ao fundo o antigo pontilhão de madeira.

Esta é a Estação da Sorocabana inaugurada em 1927. Foto por Francisco de Almeida Lopes.

O movimento dos trens de passageiro foi muito grande até metade dos anos 1960. O horário mais procurado era o do trem que vinha de Presidente Prudente. Ele deixava Ourinhos por volta das 20h00, chegando a São Paulo cerca das 6h00 da manhã.
Para poder escolher um lugar melhor, muitas vezes meu pai ia até Salto Grande para lá embarcar e reservar nossos assentos. Havia o “Ouro Verde” e o moderníssimo (anos 1950) “Pulmann”, todo de aço ambos com cabines e restaurante.
A parada mais longa na viagem era a de Botucatu. Meu pai sempre descia nela, retornando ao trem alguns vagões mais à frente, deixando ansioso o filho que desatava a chorar ao ver  o trem partir sem o pai.
Na parte central  da estação, ficava a sua entrada, onde havia uma bela porta de ferro trabalhado. No seu interior, de ambos os lados, localizavam-se as bilheterias. Passava-se pela roleta para picotar os bilhetes e adentrava-se na longa plataforma. À direita da entrada principal localizava-se o bar da estação.
Na ponta esquerda da foto, pode-se visualizar a plataforma de embarque do trem que demandava o norte e o sul do Paraná, via Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, mais tarde Rede Ferroviária Paraná-Santa Catarina. A entrada para a sua bilheteria e plataforma de embarque ficava nessa direção.
A foto teve a felicidade mostrar os meios de transporte mais comuns na época: o automóvel, a carroça, e a jardineira, todos estacionados na frente da estação. Em primeiro plano um casal recém chegado.
O jornal local mantinha uma coluna denominada “Itinerantes”, na qual um repórter apontava os que partiam e o os que chegavam na semana (Viajou para o Rio de Janeiro.fulano de tal...Regressaram de São Paulo.beltrano e filhos...).
Foto por Francisco de Almeida Lopes.
Contemporâneo das duas estações, o professor Luciano Corrêa da Silva registrou no soneto “Viagem”:
Estação, foste a primeira
noutros tempos da cidade.
Cortejou-te a realeza
nos quartéis da mocidade .
(O autor alude à passagem pela estação do príncipe de Gales, futuro rei Eduardo VIII, da Inglaterra, demandando o norte do Paraná, em 1931)
Nos quartéis da mocidade.
Agora te vejo presa
Ao destino que invade,
Me trazendo mais tristeza
Pelos trilhos da saudade.
Ontem, pompa e fidalguia:
Hoje, pobre e abandonada...
Velha estação, que ironia,
Quanta lembrança perdida,
Com tanto trem de chegada,
Como muito mais partida!...

A estação de 1927 serviu-nos até o início dos anos 1960, mais precisamente 1964, quando foi inaugurada uma nova pelo Governador Ademar de Barros. Nos anos 1970, o transporte de passageiros foi desativado, e hoje a estação serve apenas ao transporte de carga.   
Eu e meus primos Francisco Eduardo e Mário Sérgio Neves Bernardini, na plataforma da nova estação, nos anos 1960. Foto por Francisco de Almeida Lopes  

O trem de ferro, o mais belo meio de transporte criado pelo homem, aparece aqui em toda a sua pujança, retratado na estação ferroviária da Sorocabana em 1953. Foto por  Francisco de Almeida Lopes.