29.12.06

MEUS PROFESSORES OURINHENSES, POR NOEL CERQUEIRA


Abro espaço para esse belo artigo escrito por meu amigo Noel Cerqueira para a Folha de Ourinhos.

A foto, que o ilustra, é a da chegada de Marta Rocha ao "Grupinho" , sendo recebida pelo diretor do estabelecimento, profº Dalton Morato Villas-Boas. Ao seu lado, à direita, está Virgínia Bessa, esposa do drº.Alfredo Bessa, em cuja casa a miss achava-se hospedada. Também podem ser vistas na foto, a profª Cleuza Devienne (à esquerda) e Rita Herkrath.
Quem sabe Noel não está entre aqueles alunos que ovacionam a miss Brasil.


Recentemente, passando por Ourinhos - como sempre, retornando de Jacarezinho como vem acontecendo nos últimos quarenta anos - constatei que a Escola de Comércio “do Jorginho” não existe mais. Transformou-se em Colégio Objetivo.
A área ao lado, que pertencia à Igreja Metodista – com salas de aula e quadra esportiva – também se apresenta modificada. Então me ocorreu que naquele local assisti as minhas últimas aulas em Ourinhos.
Na época, o Instituto de Educação “Horácio Soares” inaugurava o curso ginasial nortuno – com cúrriculo regular. Como a demanda era grande, foi exigido um exame de admissão – com objetivo de selecionar os melhores candidatos.
Foi então que os jovens professores Alfredo Cubas da Silva e Anibal Siqueira Monitor instalaram ali um curso prepatório – onde, mais por insistência do meu irmão Aureliano, que interesse e disposição para o estudo, frequentei algumas aulas. Logicamente, insuficientes para obter uma vaga no curso ginasial noturno, exclusivamente pela minha defasagem de conhecimento e não pela qualidade e dedicação dos professores. Registre-se:- o curso era gratuíto, fruto da abnegação de ambos !
O jovem Anibal Monitor, dinâmico também como dirigente da S.M.J. - Sociedade Metodista de Jovens - proprietário de uma Romiseta, possivelmente não foi a única que trafegou pelas ruas da cidade, mas certamente foi a primeira. Não voltei mais a revê-lo. A última notícia dava conta que residia na cidade de Campinas.
Quanto ao Alfredo Cubas, que na época mostrava-se engajado no movimento estudantil, acabamos nos encontrando durante o concurso de delegado de polícia – evidente, que para surpressa de ambos. A prova de campo – pela forma como foi aplicada, exigia esforço além das nossas condições - nos deixou extenuados. Alfredo, reconhecidamente com melhor preparo intelectual, fez carreira na cidade de Campinas. Enquanto seu aluno percorria com denodo – mais de uma dezena de municípios do interior – para alcançar a almejada classe especial.
Antes, havia obtido o diploma do curso primário no Grupo Escolar "Jacinto Ferreira de Sá" - tradicional prédio marron da rua 9 de julho - assinado pelo diretor José Maria Paschoalick. Orgulhosamente, o exibo na parede do escritório - como mais uma prova da cidadania ourinhense !
Certa feita, ao final do terceiro ano letivo, o diretor Paschoalick convocou os pais para entrevista e orientação. Constatando baixo aproveitamente nas aulas de linguaguem - principalmente em leitura. O experiente professor lembrou que José de Anchieta - ou Manoel da Nóbrega (?), também haviam enfrentado problema com a gagueira. Sugeriu que minha mãe exercitasse a minha fala, assim como fez o religioso, colocando pedrinhas debaixo da língua. Depois dos primeiros exercícios abandonei o tratamento e assumi a condição de gago - assim como meu amigo Moia, colega de Tiro de Guerra.
Os primeiros sinais de falta de interesse pela escola, aconteceu durante a quarta-série do curso primário, periodo que o meu aproveitamento foi sofrível - fechei o ano com média um pouco superior à 7,0 - ou 70,0 (?). Lembro porque consta do meu diploma. A professora era uma santacruzense, como minha mãe Eunice, pertencente à tradicional família Castanho, cujo nome o desinteresse por suas aulas não permitiu que fixasse em minhas lembranças.
Os tempos eram difíceis. A cerimônia de diplomação aconteceu no Cine Ourinhos - numa manhã de domingo. Acompanhei no meio da platéia. Havia exigência de roupa social e não foi possível providenciá-la.
A terceira-série, ainda no Grupo Escolar "Virgínia Ramalho", sob a aulas da dona Edith, na companhia do meu primo Levi Cristoni e do amigo Dezidério, morador da Vila Muza, revelou as primeira dificuldades de aprendizado e no meio do ano meus pais providenciaram a minha transferência para o "grupão" - onde já havia freqüentado o jardim da infância.
A classe ficava sob o gabinete dentário - o encanamento denunciava - e certa manhã, ainda no início da aula, a bedel Olenca trouxe a notícia da morte do presidente Getúlio Vargas. Fomos dispensados e não tivemos aulas durante três dias, em sinal de luto - a população ficou transtornada e muita apreensiva com a perda do lider político.
Certamente, foi durante a segunda-série o período mais gratificante do grupo escolar. A professora Alice Silveira, esposa do dentista Sebastião Silveira, morava na rua Maranhão. Em algumas tardes a dona Alice chamava à sua casa os alunos com melhor e pior aproveitamento. Ali nos incentiva a repartir o conhecimento com os colegas - no intervalo o "doutor Sebastião" cuidava dos nossos dentes e ao final da aula sempre havia uma mesa com delicioso bolo e refresco natural. Pura dedicação e carinho da mestra !
Aquele ano letivo ainda não havia terminado, quando no dia 02 de novembro de 1953 - dia de finados - contrariando o ensinamento dos mais velhos fui jogar futebol com o Láercio (da funerária), o Eloy (da pensão Aurora) e um outro menino, acho que era o "Celsinho Gonsalves" - ou seria o "Nego Maeda" ?.
No páteo da ferrovia, onde os caminhões manobravam para encher os vagões, demarcamos o gol e passamos a disputar em "dupla" - divididos entre um grande e outro pequeno, eu com o Laércio e o Eloy com o outro garoto - passamos a disputar "ataque e defesa". Numa das séries, a nossa dupla levava a melhor quando o Eloy (rapaz grandão, como o Laércio) disparou o último chute - não conseguiu fazer o gol, mas o frágil braço direito do menino fransino, então com 8 anos de idade, não resistiu ao impacto e fraturou na altura do punho.
Coube ao doutor Luiz Monzilo, já consagrado médico obstetra, tomar os cuidados para recuperar a fratura. Primeiro, manteve o braço "encanado" imobilizado por talas durante três dias. Depois aplicou o gesso, imobilizando o membro lesionado por outros vinte e um dias. Ainda guardo alguma seqüela do tratamento dispensado - que, felizmente não me impediu de ser um goleiro razoável, é verdade !
Ia me esquecendo, não pude fazer os exames do final de ano. Fui então beneficiado pelo senso de justiça do diretor Dalton Morato Villas Boas que tirou uma média das notas obtidas durante o ano e decretou a minha aprovação - ressalte-se, com mérito ! Com isso, as férias daquele ano foram mais longas.
O "grupinho" então inaugurava o prédio da rua Gaspar Ricardo - antes, para quem não sabe, funcionava em imóvel comercial e residencial defronte ao "grupão", na rua 9 de julho. Ocupávamos uma sala no final do corredor, que também dava acesso para fundos do prédio - ainda sem muro. Ali, sob os cuidados da dileta e inesquecível professora Inês de Souza Leal, fui alfabetizado.
Recentemente, o amigo José Carlos Neves Lopes - titular da coluna Recordando ..., da Folha de Ourinhos - blindou-me com a notícia de que sua mãe levara um dos meus textos para a dona Inês ler. Por ser a expressão da verdade, confirmo de público:- foi ela quem me ensinou não só a desenhar as primeiras letras, como também me cobrou durante toda a adolescência o compromisso de retornar aos estudos.
Certa feita, em outra passagem por Ourinhos, encontrei a dona Inês Leal na padaria da rua dos Expedicionários. Emocionado apresentei a ela a minha família - minha mulher Orminda e os filhos - e lhe prestei conta sobre a continuidade dos estudos e o caminhar da vida pessoal e profissional.
Depois a visitei e pudemos então falar dos seus alunos. O colega Alfredo Wagner Andrade, para nós "Alfredinho", jovem presbiteriano independente, brilhante funcionário do Banco do Brasil - trabalhou em Brasília. O Waldir Marques - do saudoso Bazar 77 - moço religioso, tornou-se expressivo membro da ordem dos jesuitas e vive na França. Dizia ela:- sempre que Waldir vem a Ourinhos me convida para assistir a missa que ele costuma celebrar no âmbito familiar.
Coincidentemente, na mesma ocasião bateu à porta Joaquim Camacho - outro amigo de sempre, filho da dona Maria Camacho, colega da minha mãe desde os tempos de Pau D'Alho - hoje Ibirarema. Dedicado vicentino, angariava donativo para distribuição com as famílias carentes.
Finalmente, não podia deixar de mencionar os professores Homero e Olavo, ambos da Escola Artesanal - por mais que insistissem não conseguiram torna-me um torneiro mecânico, da qualidade dos irmãos Camacho e os Monteiro !
Noel Gonçalves Cerqueira
Guarujá, dezembro / 2006

"A INSTALADORA"

Estão lembrados dessa loja?
O proprietário era o Almiro Cardoso, que morreu ali por finais dos anos 1950, creio.
A foto é de seu filho Almiro e me foi enviada pela amiga Cristina Souza.
Ficava em frente ao Grupão. À esquerda, vê-se uma parte do bar do Gabriotti, pai do meu amigo José Agostinho.

OURINHOS EM 1950




Nessa foto aérea vemos Educandário Santo Antônio que estava sendo erguido em em um dos três terrenos que fizeram parte da Fazenda Múrcia (nome da fazenda de Horácio Soares).
Horácio Soares doou esse terreno às Irmãzinhas da Imaculada Conceição.   
Uma parte da fazenda de café, ainda podia ser vista após a linha férrea que demanda o Paraná.
Outro destaque é  a nova Igreja Matriz que estava sendo construída num quarteirão da Rua Arlindo Luz, tendo à sua frente  a serraria dos Irmãos Mori, em pleno coração da cidade.
No canto direito da foto, nota-se um grande prédio em construção. Trata-se do Seminário Josefino. 
Ourinhos ainda era uma cidade pequena. Seu calçamento havia sido iniciado há  apenas dois anos.
Possuía 394 propriedades agrícolas, das quais a maioria tinha menos de vinte alqueires(322).
Na agricultura predominavam: café,  algodão, milho, arroz e alfafa.
As principais casas de secos e molhados eram: Casa Zanotto, F. Mateus & Cia, Antônio J. Ferreira & Cia Ltda, Tone & Cia, Tertuliano Vieira & Filhos, Carlos Amaral e Irmãos Mori.
986 operários trabalhavam em 160 indústrias de todos os portes.
As consideradas grandes indústrias se dividiam nas categorias: benefício de algodão, serraria, oficina mecânica e fundição, carpintaria, ferraria, serralheria, beneficiamento de arroz, bebidas, farinha de milho, artefatos de metal, torrefação e moagem de café, vendas e reparos de carros Chevrolet, vendas e reparos de carros Ford, fábrica de balas, frigorífico.
Duas estradas de ferro serviam o município: E.F. Sorocabana e Rede de Viação Paraná-Sta Catarina. 
Três trens faziam diariamente a ligação Ourinhos-São Paulo, com duração média de 12 horas de viagem.
O tempo de médio da viagem  Ourinhos-São Paulo por estrada de rodagem era de 8 a 10 horas.
Os vereadores eram: Moacir de Melo Sá, Francisco Cristoni, Benedito Monteiro, Telésforo Tupina, Alberico Albano, Alberto Braz, Altamiro Pinheiro, Joaquim Lino de Camargo Júnior,Álvaro Franco de Camargo Aranha, Domingos Camerlingo Caló, Horácio Soares, Alfredo Monteiro e João Bento Vieira da Silva Neto.
O prefeito era o professor Cândido Barbosa Filho. 
Estavam qualificados 3.335 eleitores .

17.12.06

O COLÉGIO SANTO ANTÔNIO







O ano de 1946 caminhava para o seu final. O profº Cândido Barbosa Filho, já envolvido na política local, dava os primeiros passos da caminhada que o levaria à prefeitura municipal no ano seguinte, quando foi eleito numa disputa que teve como outros candidatos, José Esteves Mano Filho, Tito Prado e Antônio Luiz Ferreira. "Barbosinha", como era popularmente chamado, tornou-se o primeiro prefeito eleito pelo voto popular, após a queda do Estado Novo.
O jornal "A Voz do Povo" noticiava que Barbosinha fora a São Paulo tratar com a Irmã Superiora da Irmandade da Imaculada Conceição, do início da Construção do Colégio Santo Antônio, em terreno doado por Horácio Soares em área de sua propriedade que estava sendo loteada (um terreno de 7.744 m2).
O Colégio Santo Antônio de Ourinhos seria criado no dia 13/6/1947, funcionando, inicialmente, na rua São Paulo, com Jardim de Infância, Pré-Primário e cursos de bordado e corte e costura.
O prédio onde seriam instalados definitivamente os cursos foi concluído em 1950.
A foto, editada por mim a partir de uma vista aérea, deve ser do ano de 1949, e nela se pode ver a escola sendo edificada.

10.12.06

ELES E ELAS (2)

Reinaldo Azevedo, um dos filhos do fundador de "A Voz do Povo" e Mário Curi,
responsável pela construção de vários edifícios na cidade.




À esquerda o juiz Rocha Paes que permaneceu em Ourinhos por muitos anos e Antônio Luiz Ferreira, contador, foi responsável por uma série de iniciativas na cidade e foi prefeito municipal de 1956 a 1959.

9.12.06

ELES E ELAS (1)

Eis o velho Júlio Mori, que veio para Ourinhos em 1918, dono de uma grande serraria localizada no centro da cidade , em frente a atual Catedral e de uma loja de secos e molhados na rua Paraná



Elziro Ribeiro da Silva e "Cali", a soprano de Ourinhos, que brilhava em todos os casamentos cantando "Ave Maria" e nas procissões do enterro, interpretando a canção da Verônica. Por muitos anos o casal teve uma casa de armarinhos na rua Paraná

Trajando terno branco, Celestino Bório, um dos proprietários da Radio Clube de Ourinhos; atrás, Ciro Silva, funcionário da SPP, Tibério Bastos Sobrinho, funcionário da Prefeitura Municipal e o professor Barbosinha, que foi prefeito municipal, eleito em 1947.






3.12.06

RECORDAR É VIVER (5)


Na primeira foto, o monumento aos 50 anos da Sanbra, seu Souza, e três empregados da fábrica, o que está ao
seu lado e o último (Bio Albano) foram meus contemporâneos nos felizes três anos de aprendizagem profissional que ali vivi .
O clube Diacui onde passei felizes tardes de domingo nos anos 1960.
(Foto por Francisco de Almeida Lopes)
A beleza natural de Salto Grande antes da Usina Garcez.
(Foto por Francisco de Almeida Lopes)
A meninada não vê a hora de o padre Duílio terminar a benção para se jogar na piscina . Eu estou com as mãos sobre o queixo, atento às palavras do sacedote.
(Foto por Francisco de Almeida Lopes )

EXAMES FINAIS



Antes da criação do Ginásio de Ourinhos, uma instituição privada, o ensino secundário somente podia ser feito no Externato Rui Barbosa, de propriedade do professor Constantino Molina, que ficava na Altino Arantes. Os alunos tinham de submeter-se a exames finais numa instituição de ensino sob a fiscalização do governo federal.
Em 1937, um grupo de alunos fez esses exames na Faculdade Comercial Brasil, em São Paulo. A nota mais alta entre as alunas foi 8, obtida por Rosa Fragão, Ivone Pierotti e Amélia Neves. A mais alta entre os alunos foi 7, obtida por José Fernandes, Hermínio Nogueira e Jairo Diniz.
Esta coluna homenageia hoje dois desses alunos que ainda estão entre nós: Jairo Diniz e Amélia Neves, minha mãe, que aniversaria no próximo dia 5, ocasião em que completa 83 anos.
(A foto de Jairo Diniz é do jornal Debate, edição 1256)