23.9.06

A PRIMEIRA COMUNHÃO


O Decreto "Quam Singulari"que estabeleceu os parâmetros para a primeira comunhão foi estabelecido por São Pio X, em 8 de agosto de 1910. Segundo esse documento, poderiam ser admitidas as crianças desde a idade de sete anos. Há a possibilidade de recebê-la antes de completar essa idade caso a criança demonstre possuir discernimento suficiente.
Sempre foi uma ocasião festiva com a igreja repleta de crianças e seus parentes. Nos anos 1940 e 1950, as crianças eram previamente iniciadas no catecismo, pelas Irmãzinhas da Imaculada Conceição. A ocasião anual era o mês de Maio, em pleno Pentecostes.
Nessa foto vemos um grande número de meninas na entrada da velha igreja matriz. À esquerda estão o sr. Antonio Teiga e uma das irmãs Azevedo. À direita, o padre Eduardo Murante, pároco local. Creio que a freira próxima dele seja a Irmã Benigna.

10.9.06

DESFILE DE 7 DE SETEMBRO (ANOS 1940)


Os desfiles de 7 de setembro, em Ourinhos, iniciaram-se nos anos 1930.
Meu pai fez as primeiras fotos nas ruas da cidade. Muitas delas já não tenho mais, devendo estar em outras mãos.
Era um evento que ele adorava fotografar. Alguns anos depois, José Machado resolveu fotografar os desfiles comercialmente. Quem se incumbiu desse serviço ? O seu Chiquinho. Lembro-me dele saindo de casa bem cedo com a máquina a tiracolo, somente retornando após o encerramento, no começo da tarde. As fotos ficavam expostas com numeração nas vitrines do Foto Machado.
Alguns negativos dos primeiros desfiles ainda mantenho, o que tornou possível resgatar algumas.
Esta deve ser de 1941 ou 1942. Vêem-se alunos do Ginásio de Ourinhos vindos da Altino Arantes e passando pela Praça Melo Peixoto, na altura do velho coreto, que pode ser visto à direita. Creio que a pessoa trajando terno branco à direita seja o profº José Augusto, proprietário e diretor daquela estabelecimento de ensino.
À frente do desfile está a ginasiana Nilda Ferreira, uma das filhas de Antonio  Joaquim Ferreira, dono de estabelecimento comercial na rua do Expedicionário. No grupo feminino que vem após a fanfarra deviam estar: Anair Ferreira Bassi, Alice e Anezia Teixeira, Maria Nazaré Braz, Lucia Prado, Alzira Matachana, Alice Abujamra, Geraldina Vilchez, Lurdes Freitas Oliveira, Zenith Correa, Lavínia Azevedo, Inês G. Leal entre outras.
Foto por Francisco de Almeida Lopes

4.9.06

O JORNALISTA E O MENINO


Quando adolescente ouvi de minha avó que José das Neves Júnior, meu avô, e Miguel Farah eram grandes amigos, desde os tempos de Salto Grande.
Assim deve ter sido, pois Farah fez questão de publicar em seu jornal, em 1966, o decreto do prefeito Domingos Camerlingo Caló, acompanhado da justificativa, dando o nome de meu avô a uma das ruas de Ourinhos.
Nunca tive proximidade com o grande jornalista, ao contrário de meu primo Jefferson, cujo pendor literário despertara bem cedo, e assim freqüentou a redação da “Folha”.
Lembro-me de Miguel Farah andando pelas ruas da cidade, no exercício de sua atividade jornalística.
Os anos se passaram, e, de repente, uma veia memorialista irrompeu nesse que vos escreve.
Desse modo, começei a escrever para o Jornal da Divisa e, pouco tempo depois, passei a colaborar com a “Folha de Ourinhos”. E assim já lá se vão alguns bons anos.
A amizade com as irmãs Farah foi se solidificando, e laços mais fortes se formaram, envolvendo inclusive minha mãe, Amélia.
Com muito orgulho, vejo-me no ano do cinqüentenário integrando a equipe da “Folha de Ourinhos”, fundada em 7 de setembro de 1956 por Miguel Farah, esse paranaense de Castro (Pr), que desde cedo demonstrou aptidão para as letras. Com a família radicando-se em Salto Grande, o jovem Miguel Farah à medida que o tempo foi passando, acabou por ocupar posições importantes na região: líder político, delegado de polícia (Canitar e Chavantes), vice-delegado (Salto Grande), fiscal, professor, jornalista, promotor público (Salto Grande), escritor e poeta.
Foi um plantador de jornais: Salto Grande, Lorena (enquanto servia o exército) e Ourinhos. Em todos os momentos jornalísticos de sua vida mostrou-se um guardião de valores permanentes muito importantes na sociedade.
Teve atuação destacada na Revolução de 1932, e, em Ourinhos, foi fundador da “Sociedade Amigo de Ourinhos”, tendo também colaborado na formação da Companhia Telefônica de Ourinhos – CTO.

“Três coisas eu jurei defender na minha vida: a Pátria, a Honra e a Família. Isto eu farei, custe o que custar e, aqui fico eu, de viseira erguida para o que der e vier”. (Miguel Farah)

Após a sua morte, o filho Maurício empunhou a bandeira e seguiu adiante. A morte prematura de Maurício legou às suas irmãs o pesado encargo de continuar a batalha.
E assim, coube às irmãs Emma, Elza, Ede, Emery, Enura e Edite dar continuidade ao legado paterno, do qual deram conta embebidas no caldo de valores que Miguel Farah tão solidamente plantara naquela família.
O resultado aqui está. A Folha de Ourinhos é cinqüentenária.
Para homenageá-la, esta coluna foi buscar uma foto que tem um significado muito importante para mim.
É uma das fotos da minha formatura no Grupo Escolar Jacinto Ferreira de Sá, com cerimônia realizada no Grêmio Recreativo de Ourinhos, no dia 13 de dezembro de 1958. A cerimônia teve início às 9h30 com a presença de autoridades escolares, eclesiásticos e vereadores. O paraninfo dos formandos foi o prefeito municipal José Maria Paschoalick, ex-professor daquele estabelecimento de ensino. Receberam seu diploma, naquele dia, 277 alunos. A despedida foi feita pelo profº Luiz Cordoni Júnior, diretor do estabelecimento de ensino, cujo filho Luizito era um dos formando. Falaram, também, o paraninfo e outros oradores.
Pelos formandos discursou este que vos escreve, José Carlos Neves Lopes.
Na foto desse momento, eu estou lendo o discurso e sendo observado pelo representante da imprensa local, capitão Miguel Farah.
Quando poderia pensar o velho Farah que esse menino ainda de calças curtas seria, 40 anos depois, um dos colaboradores do seu jornal.
PARABÉNS “FOLHA DE OURINHOS” !!
PARABÉNS IRMÃS FARAH !!
A LUTA CONTINUA !

3.9.06

UM ENTERRO NO PASSADO

Essa foto é uma das mais antigas da cidade. Meu pai, que tinha uma cópia em seu álbum, nela registrou a data de 1922 Trata-se de foto muito interessante onde vemos a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus ainda sem acabamento nas laterais; à esquerda uma farmácia denominada "Nossa Senhora Aparecida", no local onde mais tarde existiu o "Café Paulista", de João e Júlio Zaki; e uma construção de madeira, na esquina com a atual Altino Arantes, onde, em 1931, Francisco Mayoral instalaria, já em alvenaria, o "Bar Internacional", mais tarde "Bar Paratodos", de Mário Ribeiro da Silva. À direita duas construções que desapareceriam nos anos 1930, com a construção dos prédios do Banco Comercial do Estado de São Paulo e da Casa Vasco, respectivamente, nas duas esquinas com a rua Paraná. Dizia meu pai que a foto retratava o enterro de uma criança. Obervando a foto vê-se um homem com o chapéu levantado, costume de saudação em respeito a um enterro, portanto.....

2.9.06

LOJA MAÇÔNICA JUSTIÇA II, de OURINHOS

Clique sobre a foto




Ela foi fundada em 12-10-1946. Meu tio avô, de Cambará - Pr, Manoel Teixeira Filho. foi um dos fundadores. Entre os ourinhenses, recordo-me do libanês Said Francis, uma figura muito simpática com quem sempre cruzava nas minhas andanças pela cidade. Certo dia do início dos anos sessenta, estava eu na praça Melo Peixoto, quando vi passar um enterro em direção ao cemitério. Nessa época, o caixão ainda era carregado manualmente pelos amigos. Perguntei a um dos presentes quem era o falecido e ele me respondeu: "- O Said Francis". Pensei eu: "que pena, aquele velhinho com um sorriso tão bonito sempre estampado no rosto, vou acompanhá-lo até a última morada. No cemitério, um fato chamou-me a atenção: cada um dos presentes jogou sobre o caixão, já na cova, um ramo de acácia. Diante daquele fato curioso, indaguei a uma pessoa o porquê do ato. Foi quando tomei conhecimento de que a acácia era a planta símbolo da Maçonaria. "Ela representa a segurança, a clareza, e também a inocência ou pureza. A Acácia foi tida na antiguidade, entre os hebreus, como árvore sagrada e daí sua conservação como símbolo maçônico. Os antigos costumavam simbolizar a virtude e outras qualidades da alma com diversas plantas. A Acácia é inicialmente um símbolo da verdadeira Iniciação para uma nova vida, a ressurreição para uma vida futura." fonte: www.maconaria.net Na foto, identifico os ourinhenses: dois empregados da antiga São Paulo-Paraná, Amado Jesus P. Lima e Sebastião Rodrigues Braga, o velho Said Francis, os dois irmãos Mattar, os dois irmãos Teixeira Mendes, João Dora, pai do meu colega de ginásio João Batista e Luiz Ferri .
Segundo informação de Wilsom Monteiro, Said Francis nasceu em Kheyam Marjayon, no em 17 de Maio de 1889. Filho de Abdalla Francis e Chaine Abbud Francis. Era viajante comercial na Sorocabana e representava a Industria de Malas Chalala & Cia. Entrou para a Maçonaria na Loja Amor e Virtude, em Ribeirão Claro-P.R. Hoje existe em Ourinhos a Loja Maçonica Said Francis, em sua homenagem. Ele faleceu em 10 de Março de 1963.

IRMÃ VIVALDA

Quem estudou no Colégio Santo Antônio há de se lembrar da irmã Vivalda. Rosto de atriz de cinema, dirigia uma camionete, na cor verde garrafa, creio. Ainda está em Ourinhos, já não usa mais a bela veste da ordem, que trajava nessa foto de setembro de 1954. O rosto ainda guarda vestígios da beleza do passado. Nessa ocasião, nas proximidades do colégio ainda havia uma olaria, cuja chaminé se vê na foto. Foto por Francisco de Almeida Lopes

VASCO FERNANDES GRILLO


Vasco Fernandes Grillo era filho de José Fernandes Grillo, um dos pioneiros de Ourinhos. Vasco teve como irmãos: Alberto e Antônio (casado com Rosa Migliari, de quem me lembro com muita saudade), Elisa (Braz), Benedita (Cury) e Elvira (Vara). Esportista de primeira, foi um dos fundadores do Ourinhense, ele mesmo jogador e técnico. Foi proprietário da "Casa Vasco", especializada em chapéus e calçados, instalada em prédio próprio, um sobrado que ainda existe na praça Melo Peixoto, 176. 



Muito amigo de meu avô, era seu compadre por ter batizado minha tia Lurdes. Nos anos 1940, vendeu sua loja e mudou-se com a família para a capital. A foto mostra o casal Vasco e Petronília e os filhos em 1948.