25.6.06

O SÃO PAULO-PARANÁ FUTEBOL CLUBE: ALBERICO ALBANO (Bio)






Em 27 de março de 1937 era criado o São Paulo-Paraná Futebol Clube. Sua primeira diretoria foi constituída por:
Dr. Wallace H. Morton – Presidente
Dr.James Lister Adamson – Presidente “Honoris Causa”
Dr. Alastair T. Munro – Vice-presidente
Hermínio Socci – Diretor Geral
João Batista Lopes – 1º Secretário
Olímpio Jorge de Morais – 2º Secretário
Teobaldo José da Costa – Tesoureiro
Luiz Zanotto – 2º Tesoureiro
Anselmo Gonzáles, Orivaldo dos Santos e José Malaquias – 1º, 2º e 3º diretores esportivos respectivamente
Ormuz Ferreira Cordeiro – Orador oficial
Artur Herrington Smith, Miguel Ospar, Antonio Dias Ferraz, Antonio Lopes, Jorge Torres Galvão e Osvaldo Correia – Membros do Conselho de Finanças
Carlos Eduardo Devienne, Benedito Monteiro, Dirceu Viana, Asdrúbal Nascimento, Castorino Ferraz Bueno, Manoel Lopes, José Bueno Lopes e José Del Ciel Filho – Membros do Conselho de Sindicância
Um dos azes desse time foi Alberico Albano (Bio), membro de uma antiga família ourinhense. Seu irmão Orlando, ainda atuante na Sociedade Vicentina local, também trabalhou na SPP.
Bio foi um dos grandes jogadores de futebol da cidade (Operário Futebol Clube), tendo integrado também o time de bola ao cesto e de futebol da São Paulo-Paraná.
Após a encampação da ferrovia pelo governo federal, foi trabalhar na Sanbra. Conheci-o nessa indústria local, da qual foi um dos principais empregados até aposentar-se.
Bondoso e e alegre, era muito querido por todos, operários e empregados do escritório.
Em 1947, foi eleito vereador pela coligação PSP-PRP.
A foto nos mostra uma das formações do time da ferrovia.
Em pé : Edu Azevedo, Francisco Saladini, Florindo Carrara, Alberico Albano (Bio), Flávio Menezes, agachados, Batatinha, Roque, Euclides Colina, Mudinho, Artur Silva (Brechó). Foto por Francisco de Almeida Lopes

a

19.6.06

ELEIÇÕES E ROMANCE NA OURINHOS DE 1927


Anteriormente à Revolução de 1930, o Partido Republicano Paulista controlava a vida política no estado de São Paulo.
Em 1926, havia sido fundado um partido de oposição que, às duras penas, enfrentava, em 1927, a sua primeira eleição – o Partido Democrático – PD. Nessa época, o voto era distrital, e Ourinhos integrava um dos quatro distritos eleitorais em que se achava dividido o estado, sendo chefe político o dr. Ataliba Leonel, político com raízes em Piraju.
O diretório político do PRP, em Ourinhos, era constituído por:
dr. Jacinto Ferreira e Sá
cel. Vicente Amaral
prof. José Galvão (prefeito)
cel. Antonio Leite
cap. Benedito Ferreira
Hermenegildo Zanotto
Dr. Teodureto Ferreira Gomes.
Cerca de 10 dias antes das eleições gerais (para Câmara Federal e Senado) daquele ano, o chefe político da região, Ataliba Leonel, visitou a cidade, quando lhe foi oferecida uma recepção da qual participaram os próceres do PRP e de sua dissidência, o Partido Oposicionista Municipal (comandado por Emílio Leão, dr. José Esteves Mano Filho, Adelardo Fonseca Teles, José Amaro Silva Leite e Domingos Lourenço.
Nas eleições realizadas no dia 24 de fevereiro de 1927 (data comemorativa da constituição republicana), votaram 162 eleitores, dos quais 114 eram do PRP, 45 do Partido Oposicionista Municipal e 3 do Partido Democrático.
Pelas páginas de “A Voz do Povo”, os oposicionistas reclamavam da presença ilegal de tropas no local de votação (habitual durante a República Velha ). Após as eleições, os membros do PMO aderiram ao Partido Democrático quebrando, assim, a unanimidade perrepista em Ourinhos.
O carnaval daquele ano prometia . Haveria bailes nas quatro noites, 26, 27, 28/2 e 1º/3, no cine Central, promovidos pelo Esporte Clube Operário. Os sócios pagariam 2$000 e não sócios 5$000. A cidade contava com dois melhoramentos: os recém-inaugurados coreto da Praça Melo Peixoto e a nova estação ferroviária (22/2/1927).
Em “ A Voz do Povo”, o articulista reclamava:
“Nos atrevemos a lembrar ao Sr. Prefeito que o cemitério que possuímos é uma vergonha e é uma falta de respeito para com os mortos, pois um cercado de pau em plena ruína, não pode servir de descanso àqueles que já se foram deste mundo. Matadouro não temos e ninguém ignora o quanto nos é prejudicial o ingerirmos carne de reses e suínos abatidos em qualquer lugar.”
Nos jornais daquela época, era muito comum rapaz apaixonado dedicar versos para sua amada. No ano de 1927, um freqüentador assíduo das páginas do jornal local era um jovem de Palmital – Joaquim Miguel Leal. Em fevereiro, o jornal publicava:
VISÃO
Rancho tosco à margem da estrada
Matas, campina verdejante
Flores de perfume inebriante
Lindas borboletas, passarada.
Ao fundo trepadeiras, ramarada,
Um florido mamoneiro adiante
Junto a uma roseira e não distante
O rio, uma barca; só mais nada.
Deslumbrado ao ver tanta beleza
Com que nos brindou a natureza
Pela mente nos perpassa uma visão
Visão bendita. Reconheço, é ela,
Minha deusa, meu amor, a minha bela
O anjo que roubou meu coração.
Palmital, 1927 J.M.Leal 
Desse modo, o jovem Joaquim (Quinzinho), que anos depois viria a ser por longa data (1949-1965) gerente do Banco Brasileiro para a América do Sul (BRASUL), homenageava sua noiva BELARMINA . 

Na véspera de São João (23/6) daquele ano, noticiava “A Voz do Povo”:
“Realizou-se no dia 15 do corrente, às 18 horas, o enlace matrimonial da senhorinha Belarmina, filha do Sr. Francisco Simões de Souza, comerciante nesta praça, com o Sr. Joaquim M. Leal, de Palmital. Foram paraninfos da noiva, o sr. Dario Alonso, representado pelo Sr. Adolfo Alonso;do noivo o sr. Manoel M. Leal. Aos convidados a família Simões de Souza foi pródiga em gentilezas, servindo-lhes uma lauta mesa de finos doces. Os recém-casados seguiram para Palmital, onde fixaram residência.”
O pai da noiva, conhecido popularmente como “Chico Manco”, era dono de famoso bar na cidade. Foi compadre de meu avô, tendo batizado meu tio Herculano.
A jovem noiva de 1927, Belarmina, ainda está entre nós, na vitalidade de seus 96 anos bem vividos. A ela, tão querida de tantos ourinhenses, este artigo presta homenagem.


Quinzinho é o primeiro à direita, sentado. O primeiro à esquerda, em pé, é José Fernandes de Souza, gerente da SANBRA. Na foto, vemos também o ex-vice prefeito Oswaldo Egídio Brisola, Rolando Vendramini, gerente do Banco Mercantil, Plínio de Barros, Geraldo Barros Carvalho.
 



Chico Manco em seu bar, nos anos 1920.
 


















Belarmina Souza Leal 

A FAMÍLIA MATACHANA



Eles nasceram e se conheceram em Castilla Vieja,  Espanha. Ele se chamava Arquipo Matachana e ela Luisa Garcia. As contingências da vida fizeram-na vir para o Brasil, em 1903, em companhia de sua família. Arquipo não resistiu à saudade da amada e veio também para cá. Casaram-se em Pereiras, em 1905, onde nasceram os dois primeiros filhos – Fausto (1906) e Gaudência (1908). Os parentes de Luisa Garcia Matachana, Dario Alonso, Domingos e Adolfo Garcia vieram para a região de Ourinhos a fim de explorar o comércio de madeiras e cereais, então intenso naquela época. Alguns anos depois, em 1910, quando o distrito de Ourinhos ainda engatinhava, o casal Matachana ali fixou-se. Nesse mesmo ano, nascia o terceiro filho, Alberto, a primeira criança a ser registrada no recém-criado cartório de registro civil. Arquipo montou uma casa comercial nas imediações da pequena estação ferroviária da Sorocabana, na rua Antônio Prado (o prédio ainda lá se encontra) – a Casa Matachana. Como era comum, na frente ficava o estabelecimento comercial e, nos fundos, a residência. Tratava-se de estabelecimento onde havia várias seções: calçados, roupas, chapéus, louças, talheres e ferragens, secos e molhados. A grande maioria dos produtos era constituída de importados, pois a nascente indústria brasileira tinha ainda uma produção pouco diversificada. Outros filhos seguiram-se: Luisa – Luisita (1912, Esperança (1914), Paulo (1917), Maria – Mariquinha (l919), Mercedes (1923) e Alzira – Alzirinha (1926). Em 1940, os filhos homens já moços, Arquipo aposentou-se. A Casa Matachana passava a ser administrada pelos jovens Matachana. Arquipo construiu uma casa na rua dos Expedicionários e para lá mudou-se. Ainda nos anos quarenta os irmãos resolveram seguir cada qual o seu caminho, Fausto ficou com a Casa Matachana, Alberto montou a Casa Alberto, na rua 9 de Julho, a melhor e mais refinada casa de roupas e calçados que Ourinhos já teve, e Paulo a Feira dos Calçados, na avenida Jacinto Sá. As mulheres foram se casando: Gaudência com Mario Thomé; Esperança com Silvano Chiaradia, Maria (Mariquinha) com João Antônio Ferreira, Mercedes com o Dr. Luis de Camargo Pires e Alzira (Alzirinha) com o Dr. Raul Gónzales de Moura . Aos poucos foi-se formando uma grande família que notabilizou-se pelo caráter empreendedor de seus membros. Alberto, após quarenta anos, deixou o ramo do comércio e voltou-se para o hoteleiro e o de construção de centros comerciais, orientação mantida pelos filhos quando ele morreu. Fausto esteve à frente da Casa Matachana até a sua morte, o mesmo fez Paulo em relação à Feira dos Calçados. O filho de Gaudência e Mário Thomé, Aldo, arquiteto, foi um dos melhores prefeitos que Ourinhos já teve, as obras que ele empreendeu em sua gestão apontavam para o futuro da cidade. O marido de Esperança, Silvano Chiaradia, muito amigo de meu pai, foi gerente do Banco Francês e Italiano para a América do Sul. Quando deixou o banco montou uma  importante gráfica e papelaria, na rua 9 de Julho, ao lado do antigo Cine Ourinhos. Em 1943, um jovem médico veio para Ourinhos montando uma pequena clínica, chamava-se Luis de Camargo Pires. Casou-se com Mercedes Matachana e juntos criaram o Hospital São Camilo, estabelecimento hospitalar de alta qualidade sediado na rua Antonio Carlos Mori. Tendo existido por mais de quarenta anos, hoje está transformado num dos melhores hotéis de Ourinhos. Os dois filhos do casal, Raul e José Luis, também se dedicaram à medicina. Lamentavelmente, a morte roubou a vida de Raulzinho prematuramente. O marido de Alzirinha, Dr. Raul Gonzáles de Moura, clinicou por muitos anos em Salto Grande, estabelecendo-se depois em Ourinhos. O filho, Ronaldo, também seguiu as pegadas do pai. Luisa faleceu em 1960 e Arquipo em 1967, deixando em Ourinhos uma família com a marca de empreendedores.