20.5.06

O COMÉRCIO EM OURINHOS





O COMÉRCIO EM OURINHOS
por Jefferson Del Rios Vieira Neves

Nos anos 40 e 50, o comércio de secos e molhados da cidade tinha uma freguesia e uma geografia bem definidas.
A então numerosa comunidade rural nipo-brasileira comprava na Casa Suzuki, a maior delas a ponto de ter aquele instrumento oriental de fazer contas. Ficava na esquina das ruas Gaspar Ricardo e Brasil.
Na Avenida Jacinto Sá pontificavam, lá no alto, o Sekino, pai de uma garota belíssima, a Tomiko, que fez ginásio comigo. Anos depois soube que ela se formara em medicina, e estava na Unicamp quando morreu precocemente.
Ainda na Avenida (salvo engano) o Tanaka, que depois se mudou para a Gaspar Ricardo, mais abaixo do Suzuki. Sua filha Nair também estudou comigo.
Não é tudo. Houve outros estabelecimentos, como o do Sr. Choso Misato, pai do atual Prefeito, Toshio. Era muito amigo do meu pai, como o Suzuki e o Tanaka.
Na Rua Paraná, o Tone. Não sei por que razão acho que só entrei lá uma vez.
Os armazéns serviam trechos do municipio.
Todo o lado da Vila Odilon comprava no Tone e no Emporio Santo Antonio, do Tertuliano Vieira da Silva (pai do Porf. Norival).
O pessoal da Boa Esperança, e mais atrás, frequentava a Avenida - onde também estava a forte Casa Carlos, do Carlos Amaral. No centro estavam as grandes casas Zanotto e a Casa Amaral fazendo diagonal na Praça.
As Fazendas Chumbeada e Paraiso, e sitiantes dos lados do "campo da aviação" se abasteciam na nossa Casa dos Lavradores. A Vila Nova não tinha comercio de monta.Os ferroviários tinham sua Cooperativa, mas no dia a dia vinham até nós.
O setor de ferragem e tintas era dominado pelas casas Mori e Vita e Santos.
São lembranças de infância e adolescência.Indeléveis. Ficaram para sempre e ainda sinto os odores de café, fumo de corda, bacalhau (que vinham em caixas), querosene vendido a granel. Cavalos parado na porta, o cheiro dos arreios e das capas de chuva dos cavaleiros.
Esse quadro começou a mudar com a expansão da cidade. A Vila Nova/Margarida fechou a retaguarda da Casa dos Lavradores quando passou a ter comércio próprio. O golpe final veio com a aparição da José Alves Veríssimo seguida da São Marcos. Empresas atacadistas de fora. Zanotto e Amaral fecharam.
A Casa dos Lavradores ficou pequena e irrevelante, e meu pai cerrou as portas em 1959.
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Essas anotações serviriam para uma nova edição revista do meu livro sobre a cidade. O projeto está parado na Prefeitura, mas espero que Toshio Misato ainda encontre tempo para tratar do caso. Aguardo um sinal.
Essa nova edição trará fotografias de época do acervo do meu primo José Carlos. O pai dele, Francisco Almeida Lopes - suas fotos e sua historia - é um personagem que falta no livro

Foto por Francisco de Almeida Lopes: residência da família Neves, na rua 9 de julho, 102, esquina com Rio de Janeiro, em 1948, por ocasião das obras de calçamento. Na esquina, a "Casa dos Lavradores", de João Neves.

8.5.06

ALUNOS DO GINÁSIO APÓS O DESFILE



Esta foto foi do primeiro desfile dos alunos que ingressaram no Instituto de Educação Horácio Soares após terem sido submetidos ao exame de admissão que se constituía  de  provas orais e escritas!
A prova oral de matemática era realizada na lousa, com problemas passados pela professora titular Maria Teresa Caetano de Carvalho.
Tenho na memória até hoje uma cena que eu e meu amigo Luiz Gonzaga Tone presenciamos naquele dia de 1958. Estávamos caminhando pelo páteo aguardando a chamada para o exame de matemática, quando passamos pela porta aberta da sala do exame. Lá estava à lousa padecendo com a resolução de um "carretão" Elisabete Capato, tendo ao lado uma professora não muito paciente arguindo-a com certa irritação.

Enfrentamos exames orais (com banca) e escritos até a terceira série do ginásio. Na quarta série já estávamos submetidos à égide da nova legislação de ensino, a Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961.
No regime antigo, tanto o exame escrito e o exame oral eram realizados com o sorteio de pontos que tínhamos que discorrer. Nada de questões com alternativas  como há hoje.
Bem, retornando ao desfile, meu pai, que habitualmente no dia 7 de setembro saía de casa logo cedo com a máquina a tiracolo para fotografar o desfile a serviço do Foto Machado, reuniu um grupo de alunos para uma foto conjunta, a qual ilustra esse artigo. Nela estão alunos de todas as séries. Da minha turma de primeira série estãona primeira fileira agachados:
1- Laércio Cubas da Silva, 2 - José Agostinho Gabrioti, 3 - José Carlos Neves Lopes, 5 - Mário Aparecido Vascão, 6 - Licínio Fantinati
Logo atrás, com meia cabeça aparecendo 1- Auro Tanaka, 2 - José Rubens de Freitas Oliveira, 3 - Marinho Brandimarte. Na primeira fileira em pé, bem no centro, Julinho Carriça Correa.  No canto direito, aparece o rosto de Valter Brandimarte. Quanto aos demais, a memória não gravou os os seus nomes. Bem atrás aparece o casal Reinaldo de Azevedo e esposa.