O COMÉRCIO EM OURINHOS





O COMÉRCIO EM OURINHOS
por Jefferson Del Rios Vieira Neves

Nos anos 40 e 50, o comércio de secos e molhados da cidade tinha uma freguesia e uma geografia bem definidas.
A então numerosa comunidade rural nipo-brasileira comprava na Casa Suzuki, a maior delas a ponto de ter aquele instrumento oriental de fazer contas. Ficava na esquina das ruas Gaspar Ricardo e Brasil.
Na Avenida Jacinto Sá pontificavam, lá no alto, o Sekino, pai de uma garota belíssima, a Tomiko, que fez ginásio comigo. Anos depois soube que ela se formara em medicina, e estava na Unicamp quando morreu precocemente.
Ainda na Avenida (salvo engano) o Tanaka, que depois se mudou para a Gaspar Ricardo, mais abaixo do Suzuki. Sua filha Nair também estudou comigo.
Não é tudo. Houve outros estabelecimentos, como o do Sr. Choso Misato, pai do atual Prefeito, Toshio. Era muito amigo do meu pai, como o Suzuki e o Tanaka.
Na Rua Paraná, o Tone. Não sei por que razão acho que só entrei lá uma vez.
Os armazéns serviam trechos do municipio.
Todo o lado da Vila Odilon comprava no Tone e no Emporio Santo Antonio, do Tertuliano Vieira da Silva (pai do Porf. Norival).
O pessoal da Boa Esperança, e mais atrás, frequentava a Avenida - onde também estava a forte Casa Carlos, do Carlos Amaral. No centro estavam as grandes casas Zanotto e a Casa Amaral fazendo diagonal na Praça.
As Fazendas Chumbeada e Paraiso, e sitiantes dos lados do "campo da aviação" se abasteciam na nossa Casa dos Lavradores. A Vila Nova não tinha comercio de monta.Os ferroviários tinham sua Cooperativa, mas no dia a dia vinham até nós.
O setor de ferragem e tintas era dominado pelas casas Mori e Vita e Santos.
São lembranças de infância e adolescência.Indeléveis. Ficaram para sempre e ainda sinto os odores de café, fumo de corda, bacalhau (que vinham em caixas), querosene vendido a granel. Cavalos parado na porta, o cheiro dos arreios e das capas de chuva dos cavaleiros.
Esse quadro começou a mudar com a expansão da cidade. A Vila Nova/Margarida fechou a retaguarda da Casa dos Lavradores quando passou a ter comércio próprio. O golpe final veio com a aparição da José Alves Veríssimo seguida da São Marcos. Empresas atacadistas de fora. Zanotto e Amaral fecharam.
A Casa dos Lavradores ficou pequena e irrevelante, e meu pai cerrou as portas em 1959.
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Essas anotações serviriam para uma nova edição revista do meu livro sobre a cidade. O projeto está parado na Prefeitura, mas espero que Toshio Misato ainda encontre tempo para tratar do caso. Aguardo um sinal.
Essa nova edição trará fotografias de época do acervo do meu primo José Carlos. O pai dele, Francisco Almeida Lopes - suas fotos e sua historia - é um personagem que falta no livro

Foto por Francisco de Almeida Lopes: residência da família Neves, na rua 9 de julho, 102, esquina com Rio de Janeiro, em 1948, por ocasião das obras de calçamento. Na esquina, a "Casa dos Lavradores", de João Neves.

Comentários

Wilson Monteiro disse…
Bem lembrado pelo Jeferson,conheci a Setuko e a Satiko Sekino,que estudaram comigo na Escola Artesanal,lá na Vila Margarida nos anos de 1954 e 55.A Maria TAkaface,Maximo Lopes Gonzales,Silvio Buratti e tantos outros
Gostaria de lembrar mais três casas de secos e molhados !
a do Chico Vara, na rua Paraná, onde hoje se encontra a Ótica Vieira;
a do Alberto Grilo, na esquina da Avenida Jacinto Sá com Antonio Prado;
e a da Sociedade Sarmento & Matheus na Praça Melo Peixoto, esquina com São Paulo.
Caro conterrâneo.

Encontrei no computador Memórias Ourinhenses. Muito interessante. Quero contribuir: A Av.Jacinto teve muitos estabelecimentos importantes, a partir da década de 30(fins) e da década de 4O. Só para lembrar Em 4l, meu pai montou a terceira farmácia de Ourinhos. Era a São José, em frente a casa comercial do Paschoal Abujamra, pai do grande médico oftalmologista Suel Abuijamraz, que ainda hoje, com 5O anos de formatura, brilha no mundo médico de São Paulo. Era um prédio de dois andares, sendo que no segundo piso esteve instalada a clínica do dr.Luiz de Camargo Pires. Entre o prédio havia duas importantes casa comerciais, dos irmãos Vilas Boas (Públio e Alsino) e do Joaquim Luiz da Costa, pai do dentisa Antonio Luiz da Costa e da Lurdes, minha colega de ginásio e que se casou com o Mauro Blasco, filho do dr. José Galian Blasco, que por diletantismmo era jornalista e foi proprietário da Folha de Ourinhos. Havia também a fábrica de guaraná Ivoram e, mais adiante, a fundição Migliari. Um dos filhos, o Lauro, foi prefeito cassado pela maldita revolução de 64, isto por ter sido lider estudantil. Havia ainda a Casa Carlos e a loja do Karekin e a funerária do pai do Bija. Numa esquina, defronte o Migliari, estava a alfaiataria do Andolfo, filho do maestro Galileu.que foi o primeiro professor da Nicinha Nicolosi, a grande pianista.
Estou residindo há mais de 3O anos em Paranavaí, Paraná. Em Ourinhos, trabalhei por oito anos na Esso e na Gullf.Depois, atendendo um chamado interior, fiz jornalismo profissão em que estou até hoje.
José Carlos, gostaria de receber contatos mais,, para que possamos trocar outras figurinhas.

Um abraço do Chiquinho Soares
lucia latorre disse…
em 1964 eu estava no 1º ano primario. Morava na av, Jacinto Sá, no final dela, passando o pontilhão, comprava meu lanche no Sekino, eu estudana no Grupo escolar Dalton Morato Vilas Boas.
A filha do Sekino vendia o lanche para mim. Que saudosa lembrança vc resgatou em mmim.